Por uma escrita real

Atualizado: Fev 4


Foto de Bia Amorim

Sentamos para escrever e nada nos vem. Queria escrever, mas as palavras que me aparecem não me satisfazem. Quem nunca se deparou com tal situação?


O quanto dessa escrita se aproxima de nós?


Escrever sobre assuntos aleatórios, que não nos atravessam, não nos afetam torna a tarefa ainda mais árdua. Algumas vezes, por questões de trabalho, outras, de estudo, esse tipo de situação é bem comum a todos nós.


Ao escrever, podemos encontrar modos de nos conectar com o assunto, com o tema. Talvez, a primeira coisa a se fazer é se perguntar por que esse texto está tão difícil de ser escrito: é algo sobre o qual você se sente inseguro para falar? ou algo que você nunca tenha vivenciado? qual sua relação com o tema? como você se sente em relação a ele?


A escrita desconexa de nossa realidade parece vazia. Para que ela se torne real, há diversos caminhos - alguns mais "técnicos", outros mais intuitivos. Um deles, o proposto pelo Travessias, é a busca de experiências que aproximem escrita e vida. Walter Benjamim, em seu famoso texto, "O Narrador", trata exatamente disso: ele nos diz que é a falta de experiências que faz com que os textos estejam cada vez mais informativos e menos narrativos. Ali, ele estava contrapondo informação, romance, narrativas. Jorge Larrosa segue um pouco nesse caminho

"tudo o que faz impossível a experiência faz também impossível a existência."

Em seu texto "Notas sobre a experiência e o saber da experiência", no livro Tremores, Larrosa nos mostra o quanto estamos afastados sobre a experiência no mundo atual e o quanto isso é prejudicial. O texto é relacionado à educação, mas seu sentido é tão amplo que podemos falar da vida e da escrita. Em outro capítulo, "Uma língua para conversação", destaco uma parte de uma nota:

Falar (ou escrever) com as próprias palavras significa se colocar na língua a partir de dentro, sentir que as palavras que usamos têm a ver conosco, que as podemos sentir como próprias quando as dizemos, que são palavras que de alguma maneira nos dizem, embora não seja de nós de quem falam.

Ao encontrarmos essa conexão, esse pouco de nós, nas palavras que estamos escrevendo, o texto se torna mais possível. Algumas vezes, buscaremos essa conexão através dos nossos pensamentos, entretanto, ir para o material, levantar da cadeira e movimentar-se, é algo muito efetivo. Uma caminhada, um bordado, desenhar, cozinhar, lavar. A ação ativa nosso pensamento, nos ajudando a compreender de que modo aquelas palavras podem se tornar mais reais para nós e o texto fluir nas páginas em branco.

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