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Textos em Travessias: Um dia li num muro: “na beira do abismo, criei asas”, Tatiana Silvera

foi diante de uma morte absurda, dessas que não tem recobrimento, que aprendi a voar. Essa morte fez abismo imediato diante dos meus pés.

Imagem de Marek Piwnicki

como por rebeldia não sou de cair, voar restou a única opção.


sofri. criar asas é doloroso. implica em abrir mão dos recobrimentos. de todos. das crenças, dos saberes, daquilo que nos dá, minimamente, a sensação de pertencer. e eu não fazia por opção. Tentei recorrer ao já aprendido antes, aos instrumentos todos que conhecia, até apelar para novas repetições do mesmo, mas era tarde, o abismo, ao se formar, levou tudo.


nesses desfazimentos, quando me sobrou só o deserto e o calor acachapante do meio-dia sem nuances, sem sombras, descobri que até mesmo o deserto é um véu.


atravessada a secura da dor permaneceu a ausência de sentido.



foi aí que escutei um bater de asas e ciente da impossibilidade de ver abri os olhos e me lancei.


(Texto escrito por Tatiana Silvera Porto Campos, para aula do Travessias Textuais)

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