O nada e a escrita ~ momentos em que não sabemos o que escrever

Nada. Sentada em frente ao papel ~ nada me vem. Preciso escrever um texto para o blog, mas nenhuma ideia me aparece.


Eu já escrevi sobre outros temas para outros dias. Para o dia de hoje: absolutamente nada.

Parece que a Pista de Escrita planejada para essa semana (sexta-feira, lá no Instagram do Travessias) veio me provocar, me colocou numa armadilha.


A folha em branco, branco, branco. O lápis, inseguro.


Levantei. Fui arrumar o que fazer. Pintei o cabelo, cortei as unhas, preparei o almoço. Ainda, nada. Mais um dia se passa e nada me aparece.


Talvez, eu pudesse falar da angústia que me toma hoje. Não. Isso seria para meu diário, não para um blog sobre escrita.

folhas em branco, não pautas, umas sobre as outras, desorganizadas
Imagem: Brand Redd, Unsplash

Nada, nada, nada.


Escrevo um texto para daqui duas semanas. Podia colocar esse. Mas, não. Essa semana quero trazer outros temas. Olho para minha lista. Blá. Nada interessante. Nada que esteja me movendo. Me levanto novamente. Vou ligar a máquina de lavar roupa, vou conversar com meus filhos, vou olhar o céu. Fico nas redes sociais. E nada continua me tomando. Outro dia passa. A folha continua em branco.


Podia escrever sobre minha personagem abandonada. Queria escrever mais sobre ela. Nop. Ela é assunto de outros lugares, do caderno de livros futuros.


Hoje, prazo máximo. Acordo já pensando nisso. Enquanto tomo banho, penso nesse nada. E sinto uma necessidade enorme de escrever sobre ele. Pronto, é isso! Escrever sobre o nada!



A gente trava. Às vezes, algumas horas. Muitas vezes, vários dias. Em casos extremos, meses e anos. O papel largado lá no canto, tomado pelo nada que nos preenche. Acontece. Acontece muito.


Mas acontece também que, frequentemente, afirmar o nada pode nos levar para os lugares que buscamos.

Lembro-me de duas histórias. Primeiro, A história sem fim, em que o “Nada” é o vilão e está assolando, destruindo, toda a fantasia. Credo. E, ainda assim, de certa maneira, ele passa a ser um modo para que tudo se recrie. A outra história é O Senhor dos Anéis, no primeiro livro, quando as personagens estão dentro da montanha de Moria e Gandalf, ao se deparar com três passagens, não sabe qual escolher – ele decide se sentar e esperar até que a resposta venha. Quando o decide, não foi um grande pensamento que trouxe a resposta, não foi uma magia impressionante, nem a memória, foi apenas a percepção de uma delas: a única não fétida e mais iluminada.



Por muitas vezes, acho que o Nada nos vem para que possamos recriar certas coisas – o texto, a vida, a arte. Outras, acredito que a gente fique esperando uma grande visão nos dando a direção, quando apenas a observação do que nos rodeia poderia nos dizer melhor o que fazer.


Escrever a palavra nada repetidamente parece bem bobo, para dizer o mínimo. Eu sei. Ainda assim, essa repetição doida, essa parada para observá-lo pode, realmente, nos levar a saídas possíveis.


Não saber sobre o que escrever faz parte da vida de quem escreve. Ninguém tem ideias incríveis o tempo todo – acho que comentei isso outro dia em um dos textos aqui do blog. A escrita parece ser como uma respiração, como disse o texto da Vera Cristina, aqui. A respiração sem pausas, sem um momento em que nada acontece, não é saudável.


Por fim, como uma vez escutei de Nina Veiga, o que acontece quando nada parece acontecer?

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